Venezuela venceu com tranquilidade o Brasil nas Eliminatórias.Foto: Fiba
Venezuela venceu com tranquilidade o Brasil nas Eliminatórias.Foto: Fiba

Já era previsto um jogo bastante difícil, afinal há muito tempo a Venezuela é uma força considerável no basquete do continente. Mas nem o mais pessimista poderia prever uma atuação tão ruim como a da derrota na noite desta sexta-feira. O placar final, de 72 a 56, não foi alto. Mas a forma como jogou a Seleção Brasileira liga o sinal de alerta para a próxima fase das Eliminatórias para Copa do Mundo.

O resultado deixa o Brasil na segunda posição do Grupo B, atrás da própria Venezuela. As duas seleções estão empatadas com nove pontos, mas o primeiro critério de desempate é o confronto direto. Nesse caso, os “vinhotintos” ficam à frente por quatro pontos, já que foram derrotados no primeiro jogo, no Rio de Janeiro, por 72 a 60. Ainda há mais um compromisso para ambos, na segunda-feira. O Brasil pega a Colômbia, em Medellín, com cara de decisão. Os colombianos venceram o Chile por 71 a 67, mas ainda estão em último e precisam vencer para sonhar com a vaga na próxima fase.

É sempre importante lembrar que os pontos conquistados na primeira fase são levados para a segunda. O Brasil já está classificado, mas perder para a Venezuela lhe tira a chance de começar essa segunda etapa possivelmente na liderança do futuramente formado Grupo F. Isso, considerando uma vitória sobre a Colômbia na segunda-feira, é claro. Também neste momento jogam Canadá (3v1d) e República Dominicana (4v0d) e o melhor cenário para a Seleção Brasileira seria que os canadenses ganhassem.

Scott Machado e Léo Meindl fazem boa partida

Leo Meindl marcou um duplo-duplo na derrota do Brasil para a Venezuela. Foto: Fiba
Leo Meindl marcou um duplo-duplo na derrota do Brasil para a Venezuela. Foto: Fiba

A muito aguardada e celebrada convocação de Scott Machado pode ser considerada um dos dois únicos pontos positivos dessa partida. O armador nascido em Nova York, filho de brasileiros, recusou um convite para jogar a Summer League da NBA e enfim tem a oportunidade de defender o Brasil. Em quadra, comandou a segunda unidade que deu os poucos bons momentos do time de Aleksandar Petrovic. Fez 12 pontos, pegou dois rebotes e deu três assistências. Faltou entrosamento e comunicação na defesa, mas a energia trazida foi fundamental. Seu +/- foi de -1, um bom número nessa noite ruim.

Léo Meindl segue fazendo bons jogos pela Seleção Brasileira. Do quinteto inicial, foi o único que teve boa atuação de fato. Consistente, jogou quase 34 minutos e terminou com duplo-duplo: 14 pontos e 10 rebotes, além de duas assistências. Pecou muito nos lances livres, convertendo apenas um de cinco. Com ele em quadra, a desvantagem média do Brasil (+/-) foi de três pontos.

Anderson Varejão foi o cestinha do jogo, com 16 pontos, muito por conta de um bom quarto período. Porém, falhou demais nos rebotes, recuperando apenas cinco. A tábua do jogo foi dominada por Nestor Colmenares, que terminou com 14 pontos e 11 rebotes. O ala-armador José Vargas fez 16 pontos e teve quatro ressaltos.

Quinteto inicial brasileiro começa mal e segunda unidade mostra força

Ginásio lotado, time entrosado – a espinha dorsal joga toda junta no Guaros e na seleção há muitos anos. A Venezuela tinha motivos para se considerar favorita nesse jogo. E começou mostrando justamente sua maior força: o garrafão. Com dois rebotes ofensivos, abriu 4 a 0. O Brasil começou mostrando suas fraquezas: o jogo de meia-quadra. Diante de uma boa marcação, não conseguiu em nenhum momento propiciar os contra-ataques que foram o desafogo nas vitórias, em Goiânia, sobre Colômbia e Chile. Em cinco minutos, o placar já marcava 11 a 2 para os donos da casa e o técnico Aleksandar Petrovic pediu tempo.

O quinteto inicial tinha Huertas, Benite, Léo Meindl, Lucas Dias e Varejão. Faltava vigor físico e marcação. Nas substituições, entraram Yago e Scott Machado para uma promissora armação dupla. Scott retribuiu todo o barulho em torno de sua tão esperada convocação. Em três minutos, fez três pontos, deu duas assistências e pegou um reobte. Jhonatan mostrou sua reconhecida força defensiva e no ataque matou uma bola de três, após passe de Yago. Com um minuto para o fim do primeiro quarto, o Brasil reduziu para 17 a 13 o placar e parecia que iria reagir.

Vinte minutos de terror: segundo e terceiro quarto definem derrota da Seleção Brasileira

Parecia que o Brasil iria reagir. Parecia. Com Yago, Scott, Meindl, Jhonatan e Hettsheimeir, o time ganhou velocidade e capacidade física. Porém, menos de dois minutos transcorridos no segundo quarto, Petrovic recolocou Vítor Benite. O ala-armador, um dos principais nomes até aqui nas Eliminatórias, realmente não estava na sua noite. Em seu primeiro lance, fez falta e cesta em Dwight Lewis. Quando voltaram mais três titulares, a Venezuela disparou. Em quatro minutos, levou a vantagem para 15 pontos (32 a 17). Desorientada, a equipe permitiu em um determinado momento três arremessos de três seguidos, após dois rebotes ofensivos. No intervalo, o placar era de 38 a 24.

O Brasil precisou de oito minutos do terceiro quarto para converter seus primeiros lances livres, depois de errar os oito primeiros. Foram também os primeiros pontos de Benite e àquela altura a Venezuela já tinha 50 a 32. Chegou a abrir 23 pontos. O time comandado por Fernando Duró, auxiliar do ex-técnico da Seleção Brasileira, Rubén Magnano, dominava rebotes, contra-ataques e tinha muito melhor aproveitamento.

No quarto período, o Brasil reagiu. Léo Meindl, um dos poucos pontos positivos da equipe nesta sexta, chamou a responsabilidade. Terminou com um duplo-duplo. Huertas e Varejão se entenderam no bom e velho pick and roll. Mas a Venezuela também tirou muito o pé do acelerador. Mesmo assim, perdeu a parcial apenas por cinco pontos (22 a 17). Não houve uma jogada trabalhada. O anticlímax foi tão grande que nem mesmo a cesta de Léo Meindl no último segundo valeu. O Brasil perde por 72 a 56 e deixa a torcida muito preocupada.

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