DeAndre Ayton, de Arizona, foi a primeira escolha do NBA Draft 2018 e vai jogar no Phoenix Suns. Foto: NBA.com
DeAndre Ayton, de Arizona, foi a primeira escolha do NBA Draft 2018 e vai jogar no Phoenix Suns. Foto: NBA.com

O “menino da cidade” continua em casa. O Phoenix Suns escolheu DeAndre Ayton, pivô da Universidade do Arizona, no topo do NBA Draft 2018, nesta quinta-feira. Havia uma expectativa muito remota de que Luka Doncic pudesse ser recrutado na primeira escolha, mas a diretoria do Suns decidiu por Ayton, pela extrema necessidade de um pivô no time que teve a pior campanha da última temporada. Nascido nas Bahamas, tem o físico mais impressionante da classe, com 2,13m e médias de 20 pontos e 11 rebotes. Sua confiança era tão grande, que sequer treinou por outras franquias.

Algumas trocas importantes e polêmicas marcaram a noite, como a de Luka Doncic por Trae Young, e Mikal Bridges saindo do Sixers para o Suns. A descida de Michael Porter Jr, já considerado o melhor prospecto da classe, até a 14ª posição, também foi de certa forma surpreendente. Porter Jr vai jogar pelo Denver Nuggets. Nomes importantes, que outrora estiveram bem cotados nos mock drafts, não foram recrutados. O Brasil não teve representantes, já que Yago, Jaú e Maikão tiraram seus nomes da lista na última semana.

O armador Trevon Duval foi o primeiro jogador “one and done” (que ficou somente um ano na faculdade) da história de Duke a não ser draftado. Duval segue sem time. Os armadores Malik Newman, de Kansas, e Rawle Alkins, de Arizona, também ficaram fora do NBA Draft, mas assinaram depois. Newman com o Los Angeles Lakers e Alkins com o Toronto Raptors. O pivô Brandon McCoy fechou com o Milwaukee Bucks. Tentarão a sorte nesse verão Isaac Haas, de Purdue, e Keenan Evans, de Purdue. LiAngelo Ball, o irmão do meio de Lonzo Ball, não foi nem cogitado no recrutamento direto. Resta saber se jogará a Summer League ou voltará para a Europa. O pai, LaVar Ball, certamente vai surgir nos holofotes em breve.

Primeiros movimentos do NBA Draft 2018

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Em segundo, o Sacramento Kings draftou o também pivô Marvin Bagley III, de Duke, um movimento já antecipado. Bagley foi o prospecto de elite a demonstrar mais vontade de jogar em Sacramento. Chega como um sopro de esperança a uma franquia que desde 2006 não avança aos playoffs. Há expectativa de vê-lo ser abastecido por passes do talentoso armador De’Aaron Fox, calouro de 2017 do Kings. Com ambos em quadra, além de Buddy Hield e Skal Labissiere, o jovem core da equipe pode começar a atrair free agents de bom nível.

Coube ao Atlanta Hawks escolher Luka Doncic e protagonizar a principal troca da noite. O Hawks imediatamente propôs uma troca com o Dallas Mavericks, que tinha a quinta escolha. Se o Mavs recrutasse o armador Trae Young, de Oklahoma, haveria negociação. Como o Memphis Grizzlies pegou Jaren Jackson Jr, pivô de Michigan State, com a quarta pick, o caminho ficou aberto. Doncic, campeão e MVP da Euroliga e da Liga ACB pelo Real Madrid, de apenas 19 anos, foi fazer dupla com Dennis Smith Jr no Mavericks.

O Atlanta Hawks conseguiu seu desejo, que era Trae Young, arremessador com aproveitamento mortal da linha dos três pontos. De quebra, economiza um milhão de dólares (diferença entre o salário da terceira e quinta escolhas) e recebe uma troca de primeiro round do NBA Draft de 2019. Essa troca é protegida para a loteria. Ou seja, se em 2019 o Mavericks ficar com uma das 15 primeiras escolhas, tem o direito de recrutar um calouro. O Hawks, então, aguardaria que em 2020 o Mavs não recebesse até a oitava posição. Se isso acontecer, em 2021, o Hawks só não escolheria se o Mavs conseguisse a primeira escolha. Nesse cenário extremo, em 2022 a escolha seria desprotegida.

Pivôs foram os alvos do top-10 no NBA Draft 2018

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Com a quarta posição, o Memphis Grizzlies escolheu Jaren Jackson Jr, pivô de Michigan State. Capaz de arremessar do perímetro, o pivô de 2,11m vai completar 20 anos em setembro. O movimento deixa bem claro que o Grizzlies quer preparar a transição para substituição de Mark Gasol. Já surgem rumores, inclusive, de que o espanhol pode ser trocado. Outro que draftou um gigante foi o Orlando Magic. Com o sexto lugar, conseguiu muito valor com Mo Bamba, de 2,16m. Bamba bateu o recorde de envergadura do NBA Draft Combine, com 2,40m de envergadura. Tem apenas 20 anos recém-completados e tudo para evoluir em uma franquia onde há pouca pressão por resultados imediatos. Vai encontrar o ala Johnatan Isaac, calouro de 2017.

Após recusar Harvard para jogar e estudar em Duke, Wendell Carter Jr. vai para o Chicago Bulls. Com a sétima escolha, a franquia tentará dias melhores pareando Carter Jr com o segundanista Lauri Markkanen. Isso deve significar menos espaço ao brasileiro Cristiano Felício, que em 2017 renovou por quatro temporadas. Havia a expectativa de escolha de Michael Porter Jr. ou Mikal Bridges pelo Bulls, que optou por reforçar o garrafão.

O Cleveland Cavaliers foi quem reiniciou a escolha de jogadores do perímetro. Pegou o armador Collin Sexton com a oitava escolha, fruto da polêmica troca que levou Kyrie Irving ao Boston Celtics. Resta saber agora se LeBron James fica na equipe, mas a opção por Sexton foi feita independentemente disso. Explosivo, o armador se encaixaria com ou sem o grande astro. O Cavs sofreu com o baixo aproveitamento de seus armadores após a saída de Irving. O New York Knicks agora confia no versátil ala Kevin Knox, de Kentucky, para dividir a responsabilidade com Krisztaps Porzingis. A décima escolha gerou um momento embaraçoso.

O Philadelphia 76ers recrutou Mikal Bridges, sênior bicampeão da NCAA por Villanova. A universidade fica na Filadélfia e tanto o ala quanto sua família estavam radiantes por continuarem em casa. A mãe de Mikal é vice-presidente de recursos humanos da empresa que administra o Sixers. Os dois trabalhariam no mesmo prédio. Durante a entrevista, o radiante Bridges soube que seria trocado para o Phoenix Suns. A franquia do Arizona escolheu o também lateral Zhaire Smith, de Texas Tech, na 16ª posição do NBA Draft, mas adicionou uma escolha desprotegida do recrutamento de 2021 que convenceu o Sixers pela troca.

Michael Porter Jr quase fica fora da loteria do NBA Draft 2018

Michael Porter Jr era cotado no top-3 há um ano, mas foi escolhido na 14ª posição do NBA Draft. Foto: NBA.com
Michael Porter Jr era cotado no top-3 há um ano, mas foi escolhido na 14ª posição do NBA Draft. Foto: NBA.com

Antes cotado para ser a primeira escolha, Michael Porter Jr passou por momentos de tensão nesta noite. A lesão na cervical que o tirou de praticamente toda sua única temporada por Missouri na NCAA impactou as franquias. Ninguém quis arriscar. Até que o Denver Nuggets usou sua 14ª escolha pra trazê-lo. Resta saber se estará saudável. Antes, o Los Angeles Clippers acionou o alerta de trocas com a escolha 12 e surpreendeu com a 13.

Os angelinos escolheram, primeiro, o ala Miles Bridges, de Michigan State, mas o enviaram para o Charlotte Hornets, que havia recrutado o armador Shai Gilgeous-Alexander, de Duke, uma pick antes. Para ter SGA no elenco, abriram mão de duas escolhas futuras de segundo round. O Hornets ainda não definiu se vai trocar Kemba Walker e o Clippers precisa muito de um armador de potencial. Prova disso é que na 13ª escolha optaram por outro armador, Jerome Robinson, do Boston College. A loteria terminou com o Washington Wizards recrutando Troy Brown, de Oregon.

Talentos que ficaram em escolhas baixas no NBA Draft 2018

Robert Williams, pivô de Texas A&M, foi escolhido pelo Boston Celtics no NBA Draft 2018.
Robert Williams, pivô de Texas A&M, foi escolhido pelo Boston Celtics no NBA Draft 2018.

Há enorme talento nesse NBA Draft e as equipes sem escolha no primeiro round certamente devem estar se sentindo mal. Uma surpresa foi o pivô Robert Williams cair até a 27ª posição. Segundanista de Texas A&M, era considerado pela ESPN o 12º melhor jogador do Top-100 dessa classe. Diz-se na imprensa norte-americana que há preocupações sobre comportamento extra-quadra e uma lesão no joelho. O Boston Celtics conseguiu recrutá-lo. Na pior das hipóteses, gastarão muito pouco em salário, caso o jogador não renda. Mas podem ter um encaixe perfeito ao forte elenco, que realmente precisa de reforço no garrafão para o futuro.

Atenção a mais nomes fora da loteria, não necessariamente surpresas. Donte DiVincenzo, campeão por Villanova, vestirá a camisa do Milwaukee Bucks, com a 17ª escolha. Grayson Allen, o polêmico senior de Duke, foi o 21º escolhido e jogará no Utah Jazz. O menino Anfernee Simmons (24), que conseguiu “fugir” da faculdade ao se matricular em uma “escola preparatória”, é do Portland Trailblazers. De Michigan, o alemão Moritz Wagner (25) vai para o Los Angeles Lakers. O segundo round teve Jalen Brunson em Dallas (33ª – Villanova) e Keita Bates-Diop em Minnesota (48ª – Ohio St).

NBA Draft 2018 tem mesmo número de estrangeiros de 2017

Dzanan Musa é um dos mais talentosos jovens europeus na atualidade. Foi escolhido pelo Brooklyn Nets no NBA Draft 2018.
Dzanan Musa é um dos mais promissores europeus na atualidade. Foi escolhido pelo Brooklyn Nets no NBA Draft 2018.

Curiosamente, os dois últimos recrutamentos tiveram o mesmo número de jogadores que não são dos Estados Unidos, incluindo canadenses. A começar por DeAndre Ayton (Bahamas) e Luka Doncic (Eslovênia), foram 13 novos “gringos”, além de, em cada uma das listas, ter um de dupla nacionalidade. Entretanto, houve uma redução no número de jogadores que de fato estavam atuando fora dos EUA, de 13 para sete.

Veja na lista quem são os novos “imigrantes” da NBA, considerando os times pelos quais terminaram o draft. Não foram mencionadas as trocas:

1- DeAndre Ayton (Bahamas) – Phoenix Suns (último time: Arizona – NCAA)

3- Luka Don?i? (Eslovênia) – Dallas Mavericks (último time: Real Madrid – Espanha)

11- Shai Gilgeous-Alexander (Canadá) – LA Clippers (Kentucky – NCAA)

20- Josh Okogie (Nigéria/EUA) – Minnesota Timberwolves (Georgia Tech – NCAA)

25- Moritz Wagner (Alemanha) – LA Lakers (Michigan – NCAA)

29- Džanan Musa (Bósnia Herzegovina) – Brooklyn Nets (Cedevita – Croácia)

31- Élie Okobo (França) – Phoenix Suns (Pau-Lacq-Orthez – França)

39- Isaac Bonga (Alemanha) – LA Lakers (Frankfurt Skyliners – Alemanha)

40- Rodions Kurucs (Letônia) – Brooklyn Nets (FC Barcelona – Espanha)

43- Justin Jackson (Canadá) – Denver Nuggets (Maryland – NCAA)

44- Issuf Sanon (Ucrânia) – Washington Wizards (Olimpija Ljubljana – Eslovênia)

47- Sviatoslav Mykhailiuk (Ucrânia) – LA Lakers (Kansas – NCAA)

55- Arnoldas Kulboka (Lituânia) – Charlote Hornetts (Orlandina Basket – Itália)

60- Kostas Antetokounmpo (Grécia) – Dallas Mavericks (Dayton – NCAA)

Veja a lista com todas as escolhas do NBA Draft 2018

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