Seleção Brasileira conquistou a terceira vitória em três jogos nas Eliminatórias para Copa do Mundo. Anderson Varejão ficou próximo de um triplo-duplo. Foto: Gaspar Nóbrega/Fiba
Anderson Varejão briga por posse de bola com a camisa da Seleção Brasileira Foto: Gaspar Nóbrega/Fiba

A vitória por 84 a 49 aparenta um verdadeiro massacre, mas não foi. A Seleção Brasileira derrotou a Colômbia nesta quinta-feira, na Goiânia Arena, e manteve a liderança isolada do Grupo B das Eliminatórias para Copa do Mundo de 2019. O largo placar final foi construído totalmente no segundo tempo, vencido por 51 a 19, incluindo 26 a 4 no último quarto. O primeiro tempo, vencido pelos jogadores de Aleksandar Petrovic por 33 a 30, foi de tensão. Os colombianos estavam à frente por 30 a 29.

Imagens exclusivas do Basquete360. Reprodução não autorizada

Leandrinho, que estreava na seleção de Petrovic, teve noite inspirada e foi o cestinha com 18 pontos. O ala-armador do Franca Basquete jogou por 24 minutos, acertou as três bolas de três tentadas e quatro em oito dos dois pontos. Também deu quatro assistências e teve 18 de eficiência. Mas, no geral, quem brilhou mesmo foi Anderson Varejão. O pivô do Flamengo quase fez um triplo-duplo: 14 pontos, 13 rebotes e oito assistências, além de duas roubadas de bola. Todos os jogadores, à exceção do novato Gui Bento, que jogou por pouco mais de três minutos, pontuaram. Pela Colômbia, destacaram-se os alas Michaell Jackson, com 16 pontos, sendo 11 deles da linha de lance livre, e Stalin Ortiz. O segundo fez 14 pontos e matou 4/7 dos três.

O Brasil segue em Goiânia para enfrentar o Chile, neste domingo, no mesmo ginásio, às 20h (horário de Brasília). Espera-se grande público, superior às 8.700 pessoas presentes nesta quinta. Os ingressos tiveram redução no preço, de R$ 20 para R$ 10, com meia-entrada a R$ 5. Caso vença, a seleção assegura a classificação à próxima fase das Eliminatórias. A vaga, na verdade, já está praticamente assegurada. Somente uma improvável combinação de resultados causaria a catastrófica eliminação. Porém, é importante lembrar, os pontos da primeira fase são levados para as etapas seguintes, então cada resultado e cada cesta são importantes.

Leandrinho foi o cestinha da partida. Ala-armador do Brasil marcou 18 pontos em grande noite. Foto: Gaspar Nobrega/Fiba
Leandrinho foi o cestinha da partida. Ala-armador do Brasil marcou 18 pontos em grande noite. Foto: Gaspar Nobrega/Fiba

Brasil sofre com alto aproveitamento da Colômbia e defesa por zona

O ginásio recebeu 8.700 pessoas, é verdade, mas demorou a encher. A instantes do início, não se contavam muito mais do que 500 presentes. Além do horário ruim, próximo à saída de trabalho das pessoas e com muito trânsito, havia jogo de futebol no Serra Dourada, estádio colado à Goiânia Arena. Aleksandar Petrovic começou com Jhonatan no lugar que, teoricamente, seria de Vitor Benite, ausente do jogo por conta de uma lesão nas costas. A defesa esperada com o ala do Paulistano não veio tão forte, e o colombiano Michaell Jackson logo fez um lance plástico, cortando-o com um crossover e finalizando na cravada.

Yago, novamente titular, começou nervoso, algo natural para um garoto de 18 anos que, há menos de um ano, jogava apenas no sub-19 do Paulistano. Logo errou passes, perdeu bola e não conseguiu manter um ritmo equilibrado. Às vezes era mais rápido do que conseguia controlar. Seu parceiro de clube Lucas Dias também teve início apagado. Forçou muitas bolas de três, incluindo um air ball, e foi rapidamente sacado para entrada de Cipolini. O ala-pivô francano trouxe mais energia, rebotes e presença física no garrafão. Terminou quase com duplo-duplo (9 pontos e 10 ressaltos). A Colômbia, que não tinha seis jogadores do competente time que sediou a Fiba AmeriCup 2017, abriu 13 a 6 com pouco menos de quatro minutos para o fim do primeiro quarto. O aproveitamento das bolas de três, puxado por Stalin Ortiz, era acima da média.

Apesar de infinitamente superior tecnicamente, o Brasil tinha dificuldades contra defesas básicas: por zona e pressão quadra toda. Quando começou a trocar mais passes, jogar a bola no garrafão e depois para fora, passou a reduzir a vantagem. Arthur Pecos substituiu Yago e trouxe poderio defensivo e tranquilidade. Uma parcial de 7 a 0 reduziu o placar para 15 a 13, até que Stalin Ortiz matou sua terceira bola de três, dessa vez contestado por Leandrinho. Varejão, com falta e cesta, e depois Leo Meindl, de três, assistido por Pecos, colocaram a seleção à frente. Porém, Ortiz, novamente de longe, com sua quarta em cinco, fechou a parcial em 24 a 21.

Segundo quarto de horrores para Brasil e Colômbia

Petrovic experimentou uma formação com dois armadores (Pecos e Ricardo Fischer), além de Leo Meindl, Cipolini e Rafael Hettsheimeir no início do segundo tempo. Apesar do potencial ofensivo da equipe, o aproveitamento foi desastroso. Hett, especialmente, não entrou bem. Em três minutos errou duas bolas de três e cometeu um turnover tentando jogar de costas para cesta. Mas a defesa começava a dar sinais de primor: somente dois pontos foram permitidos à Colômbia até os quatro primeiros minutos. O problema era que a bola verde-amarela não caía.

Voltaram Anderson Varejão e Leandrinho. Seis minutos se passaram e nenhum ponto. Aí, os dois começaram a aparecer. Em jogadas de dupla, os veteranos da NBA, agora no NBB, resolveram. Varejão levantou a torcida com defesa forte sobre Michaell Jackson, rebote e passe longo para Leandrinho bandejar livre. O mesmo Barbosa reduziu para um a vantagem colombiana (25-26) com três minutos para o fim do quarto. No intervalo, a vantagem já era brasileira (33 a 30), mas a dupla era responsável por quase metade dos números: 15 pontos haviam sido marcados, sete de 20 rebotes haviam sido pegos e nove de 12 assistências um dos dois havia distribuído. Anderson, sozinho, já havia dado sete passes decisivos.

Yago volta arrasador, Brasil deslancha e atropela no segundo tempo

Yago começou mal a partida, mas fez grande segundo tempo pelo Brasil. Foto: Gaspar Nobrega/Fiba
Yago começou mal a partida, mas fez grande segundo tempo pelo Brasil. Foto: Gaspar Nobrega/Fiba

Os jogadores e Petrovic insistem que não houve bronca no vestiário. Mas o que se viu nos últimos 20 minutos foi uma equipe completamente diferente. Yago, até então muito tímido e buscando sempre a assistência, passou a finalizar mais. O armador voltou muito melhor, acertando o ritmo e conseguindo controlar sua aceleração. Depois dos quatro turnovers do primeiro tempo, não errou mais uma bola sequer. O prodígio de 18 anos conseguiu fechar contra-ataques em bandeja e assistir companheiros. Em lance genial, deslocou a defesa colombiana e passou para ponte-aérea de Lucas Dias, lance comum de ver no Paulistano. Terminou com oito pontos e três assistências em 18 minutos.

Leandrinho seguiu seu show, matou bola de três para fazer 43 a 31 – teve 100% de aproveitamento em três tentativas – e depois aumentou a vantagem para 46 a 33 após lindo passe picado de Yago no garrafão. Já tinha 15 pontos com seis minutos para o fim do terceiro quarto.

A partir daí, foi um baile brasileiro. Anderson Varejão se aproximou de um triplo-duplo, mas deixou a quadra 14 pontos, 13 rebotes e oito assistências. Era a vez dos mais jovens e dos menos rodados aparecerem. Ricardo Fischer, que não entrou bem no início, se soltou depois, com sete pontos. Jhonatan matou bola de três e ainda pegou cinco rebotes. Leo Meindl fez sete pontos, três ressaltos e três assistências. Até Gui Bento, convocado para ganhar experiência e relacionado para a partida por conta da lesão de Benite, jogou. Não pontuou, mas sentiu o gosto de vestir a camisa da seleção.

O último quarto terminou em 26 a 4 para o Brasil. Alívio por ver uma capacidade de reação, defesa forte e contra-ataque rápido. Mas a preocupação ainda existe no jogo tático, de cinco-contra-cinco. É aí que mora o perigo para a seleção. Esperar para ver evolução e equilíbrio. Enquanto isso, comemoram-se as vitórias, seja lá a forma pela qual vierem.

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