Vitor Benite, do Murcia, e Ricardo Fischer, do Bilbao, são dois jogadores que devem assumir liderança da nova Seleção Brasileira. Foto: Montagem sobre Divulgação
Vitor Benite, do Murcia, e Ricardo Fischer, do Bilbao, são dois jogadores que devem assumir liderança da nova Seleção Brasileira. Foto: Montagem sobre Divulgação

O novo técnico da Seleção Brasileira masculina, Aleksandar Petrovic, deixou claro em sua apresentação que um dos objetivos é ter uma equipe renovada em 2021, no início do outro ciclo olímpico. Neste cenário, alguns nomes surgem para receber o bastão das mãos de veteranos como Marcelinho Huertas, Leandrinho, Nenê, Tiago Splitter, Anderson Varejão, entre outros que por tantos anos comandaram o Brasil em quadra. Da Liga ACB, o Campeonato Espanhol, Vitor Benite e Ricardo Fischer serão nomes certos nas próximas convocações. E ambos almejam assumir o papel de líderes dessa nova geração.

Vitor Benite, inclusive, já é capitão no Murcia. Em sua terceira temporada pela equipe, aos 27 anos, tem sido protagonista e aumentado sua média de pontuação. Após cinco jogos na temporada, o paulista tem média de 12,8 pontos em 20 minutos. Em sua última atuação, contra o atual campeão Valencia, marcou 29. Na seleção, esteve nos Jogos Olímpicos Rio-2016 e foi campeão Pan-Americano em 2015, como principal pontuador e líder do time.

Vitor Benite jogou as Olimpíadas de 2016 pela Seleção. Foto: Divulgação
Benite jogou as Olimpíadas de 2016 pela Seleção. Foto: Divulgação

Com o novo formato, de Eliminatórias para Copa do Mundo de 2019, Marcelinho Huertas só deve jogar as duas janelas do meio de 2018, quando seu time, o Baskonia estará de férias. Com isso, surge um espaço de liderança que Vitor Benite se diz pronto a assumir, caso não haja problemas com sua liberação pelo Murcia.

“Sempre quando fui para as seleções e o Huertas não estava, tive a função de capitão. É algo que tem que ser natural, não só eu, mas outros jogadores com esse perfil, como o Fischer, também podem assumir. Somos jogadores que nos expressamos e gostamos disso. Mas o ideal é que todos façam um pouquinho desse papel. Já tem tempo que me sinto preparado para essa função e espero poder ajudar cada vez mais”, pondera o jogador ao Basquete360.com.

“Espero ser liberado, é um orgulho estar com a seleção, traz experiência, coisas boas e o clube tem que entender. Não sei se eles querem que eu vá, porque sempre existe a preocupação por conta do cansaço das viagens. Mas é muito melhor quando o clube trabalha em conjunto com a confederação e o atleta. É a forma ideal para conseguir essa liberação”, completa.

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Ricardo Fischer: superação na carreira o deixa pronto para papel de líder na seleção

Ricardo Fischer foi campeão Pan-Americano em 2015 pelo Brasil. Foto: Gaspar Nobrega
Ricardo Fischer foi campeão Pan-Americano em 2015 pelo Brasil. Foto: Gaspar Nobrega

Capitão do Bauru vice-campeão intercontinental em 2015, à época com apenas 24 anos, Ricardo Fischer é outro jogador pronto para ser peça vital na renovação da seleção. Hoje com 26, O armador faz sua temporada de estreia pelo Bilbao, também da Liga ACB. As estatísticas ainda são discretas, com cinco pontos e 1,4 assistências em média de 13 minutos por jogo. Nesta semana, pela EuroCup, começou como titular pela primeira vez, em confronto contra o Partizan (SER), do armador norte-americano Nigel Williams-Goss vice-campeão da NCAA e draftado pelo Utah Jazz.

A recuperação de uma grave lesão no joelho sofrida no auge de sua carreira o fez amadurecer. Bem mentalmente e cada vez mais adaptado ao Bilbao e à Europa, Fischer espera jogar e liderar a seleção.

“Se fosse sete, oito meses atrás, eu não estaria pronto. Mas hoje com a cabeça que estou, me sinto apto a assumir um papel de liderança na seleção, assim como caras como o Benite, que é um grande líder. Passei por uma fase muito difícil e tenho perfil para isso. O que a seleção precisar de mim, vou fazer. Estou à disposição, sei que o Bilbao não terá problemas de libração, então é só acertar tudo. Estava pensando nesses dias sobre a alegria de ir para seleção. Quero muito voltar a vestir a camisa e brigar pelo país. O Brasil merece estar em outro lugar, não no que está agora, e precisamos lutar todos juntos em prol do basquete. Precisa ter sentimento, alegria e paciência para começar um novo ciclo, degrau a degrau”, declara o armador.

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Novo comandante é elogiado por Vitor Benite e Ricardo Fischer

Aleksandar Petrovic dirigiu a Croácia nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e foi demitido após queda no Eurobasket 2017. Foto: Divulgação

Aleksandar Petrovic assume a Seleção Brasileira depois de classificar e comandar a Croácia nos Jogos Olímpicos Rio-2016. No último Eurobasket, acabou decepcionando com o selecionado de seu país ao ser atropelado pela Rússia por 101 a 78 nas oitavas-de-final. Apesar do último resultado ruim, Petrovic é considerado um dos melhores treinadores da Europa e os dois armadores brasileiros elogiaram sua contratação.

“É um nome de um treinador com muita experiência, um cara que disputou competições muito fortes com a Croácia”, opina Benite. “Tudo isso agrega muito e acho muito interessante para essa nova gestão da CBB trazer um nome de peso do basquete mundial. Vamos ver agora o trabalho, esperar, ter tempo, e trabalhar todo mundo em prol de um só objetivo, que é melhorar. Espero que seja um excelente trabalho”.

“Todos na Europa falam muito bem do Petrovic”, conta Ricardo Fischer. “Acredito que ele tenha muito a acrescentar à seleção por conta da sua experiência e filosofia de trabalho duro. Ainda não conversamos, mas espero ter essa oportunidade logo, para dar-lhe as boas-vindas. Ele pode ter certeza que estarei à disposição para o que ele precisar”.

Fischer também espera que o trabalho da seleção seja feito com planejamento pela gestão atual da CBB. “Precisamos ter um lugar fixo para treinar. Antes cada seleção treinava em um lugar diferente, sem saber qual cidade ou ginásio seria. Entendo que o trabalho da nova gestão esteja muito difícil e precisamos ter paciência. Não serão do dia para noite os resultados, mas precisamos de organização. Trabalhar desde já jogadores com futuro para chegar às Olimpíadas. Acredito que o Brasil precisava passar por essa suspensão, estava insustentável. Estou sentindo firmeza nessa nova gestão, mas espero que se planejem rápido. Com planejamento é melhor para todo mundo”, frisa.

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