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CBB quer definir futuro das seleções em até 15 dias e tem planos diferentes para equipes

CBB deve definir futuro de Guidetti e Carlos Lima em até 15 dias. Foto: Wagner Meier/Basquete360.com

A Fiba AmeriCup terminou no último domingo com o pior saldo possível para as seleções brasileiras. Na feminina, queda nas semifinais sem vaga para a Copa do Mundo de 2018. A masculina, eliminada na primeira fase, não conseguiu sequer uma das sete campanhas que davam lugar nos Jogos Pan-Americanos de 2019. Para os homens, o resultado só não é pior porque a classificação para o Mundial de 2019 se dará através das eliminatórias que começam no dia 24 de novembro, contra o Chile, na cidade de Osorno. O segundo jogo deve ser confirmado nesta segunda-feira, dia 11, para Belém, no Mangueirinho. A capital paraense é terra do presidente Guy Peixoto, ex-jogador do Paysandu.

Livre da suspensão da Federação Internacional de Basketball (Fiba), a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) vai começar nesta semana a analisar o futuro de ambas as seleções. Tanto a comissão técnica masculina, liderada por César Guidetti, quanto a feminina, sob comando de Carlos Lima, tem status de interinidade. Os diretores Renato Lamas, dos homens, e Adriana Santos, das mulheres, entregaram relatórios sobre o trabalho feito na Copa América. A manutenção do estafe não são confirmadas, nem descartadas.

Carlos Lima terá futuro definido pela CBB em até 15 dias. Foto: Divulgação

Carlos Lima terá futuro definido pela CBB em até 15 dias. Foto: Divulgação

Já o CT de Campinas, no interior de São Paulo, anunciado ainda na gestão de Carlos Nunes, não está pronto para ser utilizado. Segundo o secretário geral da CBB, Carlos Fontenelle, que conversou por telefone com o Basquete360.com, ainda faltam ajustes de infraestrutura. “O CT está sob reforma, por isso não foram lá os treinamentos. O piso estava com marcações erradas (não havia linhas de basquete), havia trabalho a ser feito para que estivesse adequado às seleções adultas. Entre outras questões, parte dos vestiários e o almoxarifado precisava ser reformados. Ainda não sabemos quando ficará totalmente pronto”, relatou.

Na entrevista exclusiva concedida ao Basquete360.com, Fontenelle também fala sobre a busca por patrocínios. Segundo o diretor, a Motorola teve um período “de degustação” na Copa América masculina. Outro assunto relevante tratado foram os planos para contar com jogadores da Europa nas Eliminatórias e a utilização de uma seleção sub-21 no Sul-Americano de 2018. Para o feminino, a estratégia será massificar e monitorar as inúmeras jogadoras brasileiras espalhadas pelo mundo, principalmente no colegial americano.

Nesta quarta, a CBB fará um encontro com jornalistas no qual passará todo o planejamento para a sequência da gestão iniciada quatro meses atrás.

Basquete360.com: Quais são os planos para as seleções após os fracassos na Copa América?

Carlos Fontenelle: São planos efetivamente diferentes. As modalidades estão em estágios de desenvolvimento diferentes. Perder é sempre ruim, mas o planejamento da diretoria é pensando no ciclo olímpico. No masculino temo craques reconhecidos internacionalmente, que jogam ou jogaram na NBA, na Euroliga, mas que estão com certa idade. Parte não joga mais, parte talvez jogue o Mundial, e uma menor quantidade fica até a Olimpíada.

Queremos dar condição aos mais novos de darem sua cara a tapa, enfrentarem seleções experientes. O resultado de não classificar para o Pan é triste, mas ter colocado esses garotos para jogarem contra Argentina, México quase completo, não tem preço. Aí você vê o quanto precisam de desenvolvimento para resolver problema técnico no futuro. O planejamento é que naqueles eventos menos importância para classificação ao Mundial e Olimpíada, vamos colocar os mais novos para ver o desenvolvimento deles.

O feminino foi uma infelicidade muito grande. Nossas cinco melhores jogadoras não puderam ir: as duas da WNBA não foram liberadas, Clarissa não conseguiu se recuperar, Nádia chorou ao telefone por estar com a mão operada, Tainá quebrou a mão no último amistoso. Se elas estão com a gente, jogávamos de igual com o Canadá com muitas chances de ganhar. Quem deveria apenas manter o ritmo entrando no meio do jogo acabou sendo protagonista.

As meninas não têm experiencia, algumas se destacaram, vão participar de futuras seleções, mas temos uma base que não é tão experiente como no masculino. A mais avançada de idade é Erika, as outras tem muito pouca experiência e tempo de seleção. Vamos anunciar um programa de monitoramento de atletas que estão jogando no exterior, precisamos ver essas meninas, há muitas no colegial dos Estados Unidos por conta das melhores condições de lá. Temos plano de fazer camps para uni-las e ver seu desenvolvimento. É preciso um trabalho de massificação muito mais importante do que no masculino. Temos que ter mais meninas jogando

Basquete360.com: Existe a possibilidade de ter uma seleção de base feminina na LBF?

Carlos Fontenelle: Temos uma parceria muito grande com a LBF. Parece que teremos entre 10 e 12 equipes este ano, então não colocaremos a seleção nesse caso porque acabaria atrapalhando as equipes que já não têm tantas atletas assim. Se repetir o que foi neste ano, vamos colocar um time de base, a decidir entre sub-20 ou sub-21.

B360: Como está a situação das comissões técnicas interinas das seleções?

Fontenelle: Recebemos os relatórios das duas comissões técnicas na semana passada e até o fim da semana que vem teremos essas definições (de continuidade ou não). A decisão será tomada depois de análise e reuniões sobre os relatórios. É uma possibilidade manter essa Comissão Técnica (das duas seleções), mas ainda não discutimos o próximo passo. Tivemos pontos altos e baixos durante o trabalho, não teve muito tempo de treinamento, ficou muito em cima a retirada da suspensão da Fiba. Corremos contra o tempo e como tudo na vida as lições são tiradas. Ambas as seleções serão definidas dentro deste período de 15 dias.

B360: A CBB já está se planejando quanto à liberação ou não dos jogadores para as Eliminatórias?

Fontenelle: A NBA já deixou claro que só vão permitir jogadores em duas janelas, mas isso vale para todas as seleções. Na Europa, a Fiba tem um problema sério com Euroliga, que ameaça de não liberar os jogadores dos clubes participantes. Mas, novamente, seria para todos os países, o que prejudicaria até mais outros países da Europa. A maioria dos nossos jogadores não disputa a Euroliga, então acredito que vamos contar com um bom número de atletas.

B360: Há alguma ideia de realização de amistosos ou de minicamps das seleções?

Fontenelle: O masculino tem um calendário bem pesado, então é difícil reunir jogadores. Estamos trabalhando junto com a Liga Nacional de Basquete e conversei com o Paulo Bassul (gerente técnico da LNB) para ver como podemos olhar os pequenos intervalos dos calendários para este ano. Ainda não há nada definido. Para o feminino vamos estruturar um plano de amistosos.

CBB tem esperança em patrocínios e acordo de longo prazo com Motorola

CBB fechou patrocínio de "degustação" com Motorola. Foto: Wagner Meier/Basquete360.com

CBB fechou patrocínio pontual com a Motorola para disputa da Copa América masculina. Foto Wagner Meier / Basquete360.com

B360: Como foi o acordo de patrocínio com a Motorola?

Fontenelle: Fizemos o primeiro contrato de teste, como costumamos chamar, de degustação. É a primeira vez que eles vão investir num esporte como o nosso na América Latina. Apesar de não termos tido o sucesso técnico esperado, o retorno foi bastante interessante e vamos discutir um projeto mais longo, cobrindo todo o ciclo olímpico, em reunião já nesta quarta. Nosso departamento comercial vai conversar sobre as propriedades que eles têm interesse, nos tipos de ativação.

B360: A dívida de R$ 46 milhões atrapalha a CBB nas negociações e planejamento?

Fontenelle: Estamos vendendo um projeto completamente novo, a dívida não tem influência. Já conversamos com 15 empresas que podem ter potencial nos diversos níveis de patrocínio e todas têm se mostrado impressionadas com o trabalho de governança corporativa, seguindo os princípios de ética. Empresas para colocarem efetivamente dinheiro no esporte exigem esse tipo de governança e nós saímos à frente. Nosso programa de implementação de governança é mais forte e avançado do que o exigido.

Basquete360.com: A Lei de Incentivo ao Esporte será utilizada pela CBB na busca pelos patrocínios? E como está o recebimento de verbas do COB?

Carlos Fontenelle: Também estamos tentando desta forma. O Ministério do Esporte tem sido um grande parceiro nosso, oferecendo condições para Lei de Incentivo ao Esporte rapidamente, mas isso ainda vai entrar na conversa com futuros patrocinadores. Com certeza ajuda, mas nem todos vão usar verba incentivada, alguns conversamos sobre orçamento direto de marketing. Já estamos também recebendo dinheiro do COB, pagamos nossos impostos atrasados pouco mais de um mês depois da posse e regularizamos a Certidão Negativa de Débito.

O presidente Guy Peixoto dedicou olhares específicos para isso e a equipe se esmerou nesse sentido. O dinheiro da Lei Piva contempla o cronograma a partir de março deste ano, com as duas Copa América, a janela das Eliminatórias masculina, os dois sub-14 e o feminino. Encontramos, como já dito, uma terra arrasada, e passamos quatro meses colocando a casa em ordem. Conseguimos fazer muita coisa nesse período, colocar os salários em dia, recuperar as verbas do COB, trabalhar com o Ministério do Esporte.

A auditoria contratada está entregando o relatório para podermos mostrar a real situação e nos planejamos em cima disso, equacionando o perfil da dívida. Agora chegou a hora de cumprir nossa missão, que é de desenvolver o basquete. Efetivamente, daqui para frente, a atenção a isso será total.

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